Paris, 15 de
setembre de 2003
A Federação Internacional de Ligas de Direitos
de Humanos (FIDH) condena veementemente o golpe de estado levado
a cabo no último dia 14 de setembre de 2003. O Chefe
do Estado-Maior General das Forças Armadas, o general
Veríssimo Cabra Correia, tomou o poder na madrugada do
14 de setembre, denuncia a incapacidade das autoridades em pagar
os salários em atraso da função pública,
que sería a origem da grave situaçao social, económica
e política do país. O general Cabra Correia anunciou
a sua intençao de assumir interinamente a Presidência
depois de ter dissolvido o governo e detido o Presidente da
República, M. Kumba Yala, no palacio presidencial, e
o Primeiro Ministro, M. Mario Pires, em estância no leste
do país. O Presidente da Republica e o Primeiro Ministro
forem libertados o 15 de setembre aguardando uma decisão
da junta militar.
A FIDH reafirma sua irrevogável adesão aos princípios
democráticos e condena fortemente os modos de ascensão
ao poder que se dao em desrespeito à plena legalidade
constitucional.
Assim, a FIDH clama aos oficiais golpistas pelo re-estabelecimento
imediato da legalidade constitucional e pelo seu retorno às
respectivas repartiçoes militares, à fim de permitir
que o Presidente da República re-assuma suas funções
de Chefe de Estado democraticamente eleito.
Ademais, a FIDH encoraja todos os partidos a instaurar um diálogo
com o conjunto dos atores políticos e da sociedade civil
do país, a fim de que a paz seja brevemente re-instaurada.
Finalmente, a FIDH pede que todos os partidos se conformem
às normas fundamentais de direito humanitário
e de direitos humanos, notadamente as Convençoes de Genebra
de 1949; lembrando, em particular, a obrigação
ali prevista de proteger às populaçoes civis em
quaisquer circunstâncias.
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